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Breve história menonita.
Desde então, centenas de milhares de menonitas espalharam-se pelo mundo. Muitos desembarcaram no Canadá e Estados Unidos, pelos anos 1920, e outros tantos chegaram à América Latina – significativamente ao Brasil e Paraguai. Uma grande movimentação de contingentes que alcançou até os anos 1950, 1960. No dia 16 de janeiro de 1930, o navio Monte Olivia partiu de Hamburgo, na Alemanha, para levar ao Brasil os primeiros imigrantes menonitas. Depois de quase dois séculos de trabalho e progresso nas planícies geladas do Alto Volga, na Rússia, com a Revolução Bolchevique (1917) os menonitas passaram a ser perseguidos; suas fazendas, prósperas e exemplares para o mundo de então, foram confiscadas; muitos foram mortos ou condenados a trabalhos forçados na Sibéria. A solução foi deixar o país, cruzando o Portão Vermelho russo e, a partir da Alemanha, ganhar o mundo à procura de uma nova pátria.
E de Itajaí até Blumenau, 8 horas de viagem num pequeno vapor fluvial. De Blumenau, 3 horas até a Estação Hansa, em Ibirama, que era chamada Hammônia. E da Estação, mais 60km a pé, em lombo de cavalo ou em carroças, entre montanhas, até a área de propriedade da Companhia Hanseática de Hamburgo, a oeste de Ibirama: o Vale do Rio Krauel, onde chegaram no dia 13 de fevereiro de 1930. O Krauel é um afluente do Rio Hercílio, que por sua vez é um braço do Rio Itajaí e que recebera este nome dos agrimensores da Companhia Hanseática, à época das primeiras imigrações de alemães ao país, anos antes, possivelmente numa referência ao embaixador alemão no Brasil. Tudo estava por fazer naquela terra desconhecida, muito diferente das planuras de trigo que plantavam no Volga. Por aqui eram as montanhas, muito calor, insetos, ameaças de ataques de índios remanescentes de antigas aldeias.
A maioria dos menonitas no Vale do Krauel era de agricultores, mas também vieram marceneiros, carpinteiros, alfaiates, sapateiros, enfermeiras e professores. A manutenção das famílias neste primeiro ano de imigração foi assegurada com a ajuda da Cruz Vermelha Germânica, no que se referia à agricultura; e da Holanda, por meio da Hollaendisch Doopsgezind Bureau, na construção de escolas, serrarias e de uma cooperativa. No prédio onde hoje funciona a prefeitura de Witmarsum, funcionou o hospital, de 1936 a 1952. E logo que a produção de leite passou a fazer parte das atividades da colônia, a comunidade instalou no mesmo terreno da cooperativa uma desnatadeira e uma venda – o velho casarão ainda está em pé, recentemente foi restaurado e abriga uma casa de cultura da cidade. A educação para as crianças, no princípio, era ministrada na casa dos membros da comunidade, assim como os cultos e os ensaios do coral, até que em 26 de abril de 1931 fosse inaugurada a primeira escola de Witmarsum, no Ribeirão do Cambará. Aos domingos a escola dava lugar aos cultos. A primeira igreja foi construída em Waldheim, em 1932. Em 1934, a maior parte dos colonos menonitas de Auhagen e muitos das outras comunidades partiram para Curitiba, no Paraná, em busca de novas terras.
Hoje a comunidade menonita de Curitiba mantém instituições de grande importância para a cidade. Entre elas: • O Núcleo Terapêutico Menno Simons atende aproximadamente 1.200 pessoas por mês. • A Casa José atende adolescentes carentes todos os dias e abriga rapazes, em regime de república, na Fazenda Rio Grande, cidade vizinha a Curitiba. • A AMAS, Associação Menonita de Assistência Social, atende mais de 900 crianças de Curitiba e cidades vizinhas - Lapa, Porto Amazonas e Palmeira -, em seis centros de educação infantil e um centro de apoio a pequenos agricultores, com alimentação, educação, lazer e principalmente para formar nas crianças um caráter cristão - presta apoio sociofamiliar e socioeducativo em meio aberto, é uma instituição filantrópica criada para promover o bem-estar social e espiritual nas comunidades e famílias carentes. • O Lar Betesda, uma clínica de repouso, apoio e recuperação para idosos, atua desde 1979. • A comunidade menonita mantém a Chácara Betel, o Esporte Clube Olímpico e o Danúbio, locais para esporte e lazer. • A Faculdade Fidelis, que surgiu da parceria entre os mantenedores do antigo ISBIM, Instituto e Seminário Bíblico Irmãos Menonitas, diversas denominações evangélicas - COBIM (Irmãos Menonitas), AIMB e AEM (Menonitas) e CIELB (Evangélica Livre) - e a Fundação Educacional Menonita, para o credenciamento do Curso de Bacharel em Teologia pelo MEC. |







